A temporada de jubartes estava começando, mas aquela não era uma saída de observação. A equipe da Atlantes fazia a navegação de uma saída de mergulho em Guarapari quando uma tartaruga-de-couro apareceu ao lado do barco. Era a maior espécie de tartaruga do planeta, um animal oceânico que pode chegar a 500 kg e mergulhar além dos 1.000 metros.

O relato foi gravado a bordo logo depois do encontro, ainda durante a navegação da saída de mergulho.

O grito veio no barco, o comandante desviou a embarcação e a tartaruga continuou o deslocamento. Foi um encontro curto e feito do jeito certo: ninguém fechou a rota do animal só para ganhar mais alguns segundos de vídeo.

+1.000 m é a profundidade que uma tartaruga-de-couro consegue superar durante um mergulho.
O registro real é rápido: a tartaruga sobe para respirar e segue ao lado da embarcação da Atlantes.

O vídeo do animal dura poucos segundos, mas entrega bastante informação. E lembra uma coisa boa sobre fazer mergulho em Guarapari: a saída tem destino e procedimento, só que o mar não recebeu a nossa programação.

O que apareceu ao lado do barco da Atlantes?

Era uma tartaruga-de-couro, Dermochelys coriacea. Também chamada de tartaruga-gigante, ela passa boa parte da vida em mar aberto e longe da costa. Ver uma na superfície já não é comum. Ver tão perto de uma embarcação numa saída de mergulho é o tipo de registro que faz biólogo voltar o vídeo e olhar de novo.

Ela não estava pedindo ajuda nem tentando chegar ao barco. Tartarugas marinhas respiram ar e precisam aparecer na superfície. A equipe reduziu o risco de colisão, deixou espaço e o animal seguiu.

Como reconhecer uma tartaruga-de-couro no mar?

O tamanho chama atenção primeiro, mas olha o dorso. Ele é escuro e não tem aquelas placas duras e bem desenhadas das outras tartarugas. No lugar delas aparecem sete linhas compridas, as quilhas, correndo pelo corpo.

As nadadeiras dianteiras podem passar de dois metros. A cabeça parece pequena para o tamanho do animal e costuma ter manchas claras. Então guarda três sinais: dorso escuro, quilhas compridas e nadadeiras enormes.

O que observarTartaruga-de-couroTartaruga-verde
CascoEscuro, flexível e marcado por quilhasDuro, liso e formado por placas visíveis
TamanhoPode chegar a 182 cm de carapaça e 500 kgGeralmente bem menor, embora também possa passar de 1 metro
HabitatPrincipalmente mar abertoÁreas costeiras, costões e bancos de alimento
AlimentaçãoÁguas-vivas, salpas e outros animais gelatinososNa fase adulta come principalmente algas e vegetação marinha
Em GuarapariEncontro raro e geralmente de passagemMais provável perto dos costões e pontos de mergulho
Comparação de escala e anatomia da tartaruga-de-couro Ilustração em vista superior mostrando uma tartaruga-de-couro com carapaça de até 182 centímetros ao lado de uma pessoa de 175 centímetros. As nadadeiras dianteiras podem passar de dois metros. O dorso tem sete quilhas longitudinais. A maior tartaruga do mundo em escala Medidas máximas informadas pelo Projeto Tamar
A escala é aproximada e compara a carapaça máxima registrada com uma pessoa de 1,75 m. O animal visto em Guarapari não foi medido.

Quais são as 5 maiores curiosidades sobre a tartaruga-de-couro?

Essa é a parte em que o nome começa a fazer sentido e o tamanho deixa de ser a única surpresa. Toque em cada curiosidade para abrir.

1. O casco não é duro como o das outras tartarugas
A carapaça tem pele fina e resistente sobre milhares de pequenas placas ósseas. Essa estrutura é mais flexível e ajuda o animal a se mover em mar aberto e suportar mergulhos profundos.
2. Ela consegue mergulhar além dos 1.000 metros
A tartaruga-de-couro tem adaptações para pressão, frio e longos períodos submersa. É uma profundidade maior que a altura de muitos morros e prédios empilhados.
3. Um adulto pode pesar centenas de quilos
A ficha do Projeto Tamar informa até 182 cm de carapaça e 500 kg. Literatura técnica registra adultos acima de 900 kg. Isso não permite estimar o peso da tartaruga do vídeo, porque ela não foi medida.
4. O prato principal é água-viva
Ela come águas-vivas, salpas e outros animais gelatinosos. Papilas voltadas para trás ajudam a segurar esse alimento escorregadio. É por isso que sacolas plásticas no mar são tão perigosas: elas podem parecer comida.
5. O corpo pode ficar mais quente que a água
O tamanho, a circulação e uma camada de gordura ajudam a conservar calor. Assim ela consegue seguir alimento por águas frias onde outras tartarugas marinhas teriam dificuldade.

O tamanho assusta em foto, mas não transforma o animal em monstro. É a mesma conversa que aparece quando alguém pergunta se tem tubarão em Guarapari. A biologia costuma ser mais interessante que o medo.

Por que esse encontro em Guarapari é tão raro?

A tartaruga-de-couro passa a maior parte da vida no ambiente oceânico e pode cruzar milhares de quilômetros entre áreas de alimentação e reprodução. Ela não depende dos costões rasos onde a tartaruga-verde costuma procurar alimento.

A coincidência de calendário foi boa. A temporada de baleias jubarte em Guarapari estava começando, mas aquela navegação era de mergulho. No mesmo mar em que as jubartes passam todos os anos, uma tartaruga oceânica ameaçada cruzou a rota da equipe.

Nenhum animal selvagem é promessa. O que a Atlantes oferece é operação preparada, conhecimento local e uma equipe que sabe quando observar e quando sair do caminho.

Quais são as 5 coisas que você nunca deve fazer perto de uma tartaruga marinha?

Regra de bordo: o animal escolhe a rota

  1. Não persiga. A tartaruga precisa seguir o deslocamento sem gastar energia fugindo do barco.
  2. Não corte a frente. Fechar a rota aumenta o risco de colisão e aproxima o animal da hélice.
  3. Não toque nem alimente. É um animal selvagem e o contato não ajuda.
  4. Não entre na água atrás dela. Um encontro visto do barco não vira autorização para nadar junto.
  5. Não prolongue a cena pelo vídeo. Registre de longe e deixe a tartaruga continuar.

Animal marinho ferido ou encalhado no Espírito Santo

O Iema orienta acionar o Projeto de Monitoramento de Praias pelo telefone 0800 039 5005. Não tente empurrar o animal para a água nem fazer manejo por conta própria.

Se você está pesquisando o que fazer em Guarapari e gosta de vida marinha, dá para montar a viagem por camadas. Na temporada, a saída de observação de jubartes leva você para o mar aberto. Quem quer entrar na água pode começar pelo batismo de mergulho. Mergulhadores certificados podem conhecer os pontos de mergulho de Guarapari.

A tartaruga-de-couro está em extinção?

No mundo, a espécie está classificada como Vulnerável. No Brasil a situação é mais grave: Criticamente em Perigo, segundo a lista apresentada pelo ICMBio. A captura acidental na pesca oceânica, colisões, lixo plástico e perda de áreas de desova estão entre as ameaças.

Então sim, encontrar uma livre em Guarapari é motivo para comemorar. Sair da rota dela faz parte da comemoração também.

Onde ela desova no Espírito Santo?

A única área regular de desova conhecida no Brasil fica no litoral norte do Espírito Santo, perto da foz do Rio Doce. Segundo o ICMBio, a temporada reprodutiva acontece de setembro a março, com pico entre novembro e janeiro.

O vídeo não permite afirmar sexo, idade ou destino do animal visto pela Atlantes. O registro prova o que mostra: uma tartaruga-de-couro estava navegando no mar de Guarapari e cruzou com a embarcação durante uma saída de mergulho.

Está vindo para Guarapari? Escolha como você quer conhecer esse mar.

Tem saída de jubartes na temporada, batismo para a primeira experiência e mergulho nos pontos da cidade para quem já é certificado.

Ver a saída de jubartes Conhecer o batismo

Perguntas frequentes

A tartaruga-de-couro é a maior tartaruga do mundo?
Sim. É a maior espécie de tartaruga viva e a maior tartaruga marinha. O Projeto Tamar informa até 182 cm de carapaça e 500 kg, enquanto literatura técnica registra adultos ainda maiores.
Por que ela se chama tartaruga-de-couro?
Porque a carapaça não tem grandes placas rígidas. Ela é coberta por pele resistente sobre milhares de pequenas placas ósseas.
A tartaruga-de-couro é perigosa?
Não é um animal que caça pessoas. É uma espécie selvagem de grande porte e deve ser observada à distância. O risco mais provável nesse encontro é para a própria tartaruga, em caso de colisão, hélice, rede, linha ou plástico.
A tartaruga-de-couro vive em Guarapari?
Ela vive principalmente em mar aberto e pode passar pelas águas de Guarapari durante grandes deslocamentos. O encontro não indica uma população residente perto da cidade.
O que fazer ao encontrar uma tartaruga marinha no mar?
Avise o comandante, não feche a rota, não persiga, não toque e não ofereça alimento. Se estiver ferida, presa ou encalhada no Espírito Santo, acione o Projeto de Monitoramento de Praias pelo telefone 0800 039 5005.
O que fazer em Guarapari para conhecer a vida marinha?
Na temporada, a Atlantes faz saídas de observação de baleias jubarte com biólogo a bordo. Quem nunca mergulhou pode fazer o batismo e mergulhadores certificados podem conhecer os pontos de mergulho de Guarapari.