A confirmação científica da biodiversidade marinha de Guarapari não é fato isolado: é uma linha contínua de pesquisa desde os anos 1990, conduzida principalmente pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), com participação de programas estaduais e federais.
O Laboratório de Ictiologia (Ictiolab) da UFES, fundado em 1998 e coordenado pelo Dr. Jean-Christophe Joyeux (pesquisador que já estampou a capa da revista científica Nature), é a referência mais ativa. Os trabalhos sobre a Ilha Escalvada incluem censos visuais sistemáticos e levantamento detalhado de peixes ornamentais e cripto-bentônicos.
Em 2023, foi lançado o projeto Peixes pro Amanhã, parceria UFES + IEMA + FAPES, que monitora as ilhas Escalvada, Rasas e Três Ilhas. Resultados até 2026: 143 espécies identificadas, 8.267 indivíduos contabilizados, 15 espécies ameaçadas registradas e a possibilidade de uma nova espécie ainda não descrita pela ciência, observada a 60 metros de profundidade.
O PELD-HCES (Programa Ecológico de Longa Duração de Habitats Costeiros do ES), coordenado pelo Prof. Ângelo Bernardino, documentou também algo preocupante: redução de cerca de 40% na extensão de espécies recifais entre 2018 e 2020, associada a um aumento de 1 °C na temperatura do mar.