Vista aérea das Ilhas Rasas em Guarapari, ponto principal da Capital Nacional da Biodiversidade Marinha
Capital Nacional · Lei 15.004/2024

Guarapari, Capital Nacional da Biodiversidade Marinha.

Mais de 766 espécies marinhas registradas. A maior diversidade de peixes recifais do Brasil, confirmada pela ciência e reconhecida em lei federal. A Atlantes documenta esse mar há mais de três décadas.

766 espécies marinhas registradas em Guarapari
em peixes recifais
+30anos da Atlantes
15espécies ameaçadas
2024reconhecimento federal
Resposta direta

Por que Guarapari é Capital Nacional da Biodiversidade Marinha?

Guarapari recebeu oficialmente o título de Capital Nacional da Biodiversidade Marinha pela Lei Federal nº 15.004, sancionada em 16 de outubro de 2024. O reconhecimento é fundamentado em décadas de pesquisa científica que confirmaram a maior diversidade de peixes recifais de todo o Brasil nas ilhas oceânicas do município, à frente de Arraial do Cabo, Abrolhos e Fernando de Noronha. No total, mais de 766 espécies marinhas já foram registradas no mar de Guarapari, entre peixes, moluscos, crustáceos, algas, corais e anêmonas.

📜 Lei Federal nº 15.004/2024 · Autora: ex-deputada Dra. Soraya Manato (ES) · Relator no Senado: Fabiano Contarato (PT-ES) · Sancionada pelo Presidente da República em 16/10/2024 · Publicada no Diário Oficial da União em 17/10/2024.
Comparação científica

À frente de Abrolhos, Noronha e Arraial do Cabo.

Pesquisa de doutorado realizada por Sérgio Ricardo Floeter na Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) comparou a diversidade de peixes recifais entre os principais destinos de mergulho brasileiros. Guarapari liderou o ranking, à frente de pontos historicamente mais conhecidos pelo turismo de mergulho.

Guarapari, ESCapital Nacional da Biodiversidade Marinha
Arraial do Cabo, RJCosta do Sol
Abrolhos, BAParque Nacional Marinho
Fernando de Noronha, PEArquipélago oceânico

Ranking de diversidade de peixes recifais entre destinos brasileiros. Fonte: Floeter, S.R. (2003), Tese de Doutorado em Ecologia, UENF. Dado citado em EBC/Agência Brasil.

27 anos de reconhecimento

De estudo científico a lei federal.

O título de Capital Nacional não veio por acaso. É o resultado de quase três décadas de pesquisa, defesa e divulgação contínua.

1997

Reconhecimento científico

No XII Congresso Brasileiro de Ictiologia, a comunidade científica reconhece Guarapari como detentora da maior diversidade de algas e peixes recifais do país.

2003

Tese de doutorado UENF

Sérgio Ricardo Floeter publica os dados científicos que confirmam Guarapari como o ponto de maior diversidade de peixes recifais do Brasil, à frente de Abrolhos e Fernando de Noronha.

2024

Lei Federal 15.004

Lula sanciona em 16 de outubro a lei que oficializa o título de Capital Nacional da Biodiversidade Marinha. Projeto da ex-deputada Soraya Manato.

2026

Pesquisa em andamento

Projeto Peixes pro Amanhã (UFES + IEMA + FAPES) monitora as ilhas desde 2023: 143 espécies já catalogadas, 15 ameaçadas, uma possível espécie nova para a ciência.

O que vive no fundo do mar

As 766 espécies, organizadas em 6 grupos.

Amostra das espécies mais comuns e marcantes registradas nas saídas regulares da Atlantes às ilhas de Guarapari. As 766 totais englobam peixes, moluscos, crustáceos, algas, corais e anêmonas.

🐟

Peixes recifais

Cabeços e paredes coloridos

Cabeços e paredes da Ilha Escalvada. Budião azul, peroá, peroá rei, cocoróca, sargo, donzelinha, peixe-borboleta, peixe-anjo-rainha (Holacanthus ciliaris), peixe-frade, peixe-anjo-pigmeu (Centropyge), peixe-cofre, cirurgião azul, gramma, parú, ciliares.

🐠

Cardumes residentes

Vão de casco e costões

Concentração maior nas Ilhas Rasas e no Bellucia. Xareu, dentão (Lutjanus jocu), olho-de-boi, cióba, caranha, robalo, sarda, sardinha, xixarro, bicuda, agulhão, sargo-de-dente, sargo-de-beiço.

🦈

Garoupas, badejos e méro

Predadores de topo

Habitantes dos vãos do Bellucia e do Victory 8B. Garoupa, garoupa mármore, garoupa gato, badejo quadrado, badejo mira, badejo sabão. Méro (Epinephelus itajara) em risco crítico, ocorrência rara.

🪼

Raias e cartilaginosos

Visitantes ocasionais

Mais frequentes nas Ilhas Rasas. Raia nariz-de-boi (Dasyatis americana), raia chita, raia treme-treme, raia prégo, raia manta (visitante esporádica), cação viola.

🐙

Cefalópodes e crustáceos

Fauna escondida nos cabeços

Polvos (residentes em cabeços da Escalvada), lagostas (Panulirus) nos vãos do Bellucia, lagostim, caranguejo aranha, caranguejo ermitão, camarão de limpeza, sépias ocasionais.

🌊

Invertebrados e habitat

A base do ecossistema

Esponjas alaranjadas e amarelas, gorgônias de até 2 m (Ilhas Rasas), corais de cabeço (Escalvada), anêmonas, nudibrânquios, estrelas-do-mar, ofiuros, ouriços, pepino-do-mar, lírio-do-mar, poliquetas, cavalo-marinho (Hippocampus reidi, vulnerável).

Pesquisa científica em andamento

Quem estuda o mar de Guarapari.

A confirmação científica da biodiversidade marinha de Guarapari não é fato isolado: é uma linha contínua de pesquisa desde os anos 1990, conduzida principalmente pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), com participação de programas estaduais e federais.

O Laboratório de Ictiologia (Ictiolab) da UFES, fundado em 1998 e coordenado pelo Dr. Jean-Christophe Joyeux (pesquisador que já estampou a capa da revista científica Nature), é a referência mais ativa. Os trabalhos sobre a Ilha Escalvada incluem censos visuais sistemáticos e levantamento detalhado de peixes ornamentais e cripto-bentônicos.

Em 2023, foi lançado o projeto Peixes pro Amanhã, parceria UFES + IEMA + FAPES, que monitora as ilhas Escalvada, Rasas e Três Ilhas. Resultados até 2026: 143 espécies identificadas, 8.267 indivíduos contabilizados, 15 espécies ameaçadas registradas e a possibilidade de uma nova espécie ainda não descrita pela ciência, observada a 60 metros de profundidade.

O PELD-HCES (Programa Ecológico de Longa Duração de Habitats Costeiros do ES), coordenado pelo Prof. Ângelo Bernardino, documentou também algo preocupante: redução de cerca de 40% na extensão de espécies recifais entre 2018 e 2020, associada a um aumento de 1 °C na temperatura do mar.

O papel da Atlantes

30 anos documentando, defendendo e divulgando.

Vista aérea da Ilha Escalvada em Guarapari, ponto principal de operação da Atlantes desde 1993

A relação da Atlantes com a biodiversidade de Guarapari não começou com o título federal. A operadora opera as ilhas capixabas desde 1993 e, ao longo das últimas duas décadas, consolidou-se como uma das principais referências em mergulho do Espírito Santo, hoje sob a direção de Bruno Felipetto, mergulhador que conhece o mar de Guarapari há mais de 25 anos.

Esse enraizamento se traduz em um trabalho contínuo de produção de conteúdo digital, documentários e vídeos submarinos, material que circula em campanhas turísticas, reportagens e produções audiovisuais sobre o mar capixaba.

A Atlantes participou ativamente de todas as etapas do afundamento do Victory 8B em 2003, o maior recife artificial da América Latina, coordenado pela SEAMA-ES e Fundação Cleanup Day. A operadora segue como referência operacional do ponto, com monitoramento contínuo do casco e da fauna que colonizou a estrutura.

Hoje a Atlantes cede gratuitamente imagens e vídeos submarinos para órgãos municipais, estaduais e reportagens de alcance nacional. Os materiais aparecem em documentários, matérias de TV e campanhas turísticas que posicionam Guarapari como destino de ecoturismo no Brasil e no exterior.

"A defesa contínua da fauna marinha de Guarapari teve papel técnico e midiático decisivo na sustentação da tese que culminou na Lei 15.004/2024."
Reconhecimento oficial 2026

Bruno Felipetto receberá o Título de Cidadão Guarapariense e o Guará de Ouro.

Em reconhecimento aos mais de 25 anos de trabalho dedicado a Guarapari, à fundação e consolidação da Atlantes como referência nacional em mergulho, e ao papel direto na divulgação que ajudou a sustentar a tese que tornou a cidade Capital Nacional da Biodiversidade Marinha.

Homenagem concedida pela Prefeitura Municipal e pela Câmara de Vereadores de Guarapari, com convite oficial do prefeito e da presidente da Câmara.

📅 Cerimônia · 18 de junho de 2026
Atlantes no mundo

Levando Guarapari para feiras internacionais.

A Atlantes representa Guarapari em encontros internacionais do setor de mergulho. Em novembro de 2025, esteve presente no DEMA Show (Diving Equipment & Marketing Association), o maior encontro mundial da indústria do mergulho, em Orlando, EUA. Atrai mergulhadores de origens diversas: argentinos, holandeses, americanos, australianos, franceses.

Chegada ao DEMA Show · Orlando 2025
Parceiros e destinos internacionais
Equipamento e tecnologia da indústria
Banner de boas-vindas ao DEMA Show 2025
Estande temático no DEMA Show com sereias representando destino caribenho
Arcos de entrada do DEMA Show 2025 em Orlando
Estande de Fiji no DEMA Show, networking internacional
Painel de marca de equipamento de mergulho no DEMA Show
Honestidade

O que ameaça essa biodiversidade.

Reconhecer o título não significa ignorar os problemas. As ameaças reais ao ecossistema marinho de Guarapari são documentadas por pesquisadores e órgãos ambientais. A Atlantes opera com consciência dessa fragilidade.

Pesca ilegal

Garoupas, badejos e ciriobas são alvos da pesca predatória no entorno das ilhas. Pesca é proibida num raio de 100 m do arquipélago das Três Ilhas.

Esgoto sem tratamento

Rios da bacia urbana (Jabuti, Una, Perocão) recebem efluentes que afetam a qualidade da água costeira e a saúde dos recifes mais próximos.

Branqueamento de corais

Aumento de 1 °C na temperatura do mar entre 2018 e 2020 já causou perda de cerca de 40% da extensão de espécies recifais, segundo o PELD-HCES da UFES.

Coleta ilegal de souvenirs

Corais, estrelas-do-mar e outros invertebrados ainda são alvo de coleta clandestina para venda como lembranças turísticas.

15 espécies já ameaçadas

Levantamento do Projeto Peixes pro Amanhã (2023-2026) identificou 15 espécies ameaçadas em nível estadual ou nacional nas ilhas de Guarapari.

Plástico e microplástico

Resíduos chegam ao mar via rios urbanos e descarte direto na costa. O monitoramento Petrobras (PMP-BC/ES) registra impacto contínuo em animais marinhos.

A contradição que precisa acabar

Capital da Biodiversidade, ilhas sem proteção contra pesca.

Guarapari recebeu da União o título federal de Capital Nacional da Biodiversidade Marinha. Mas, no mar, quase nada mudou. Os pontos turísticos que sustentaram a tese científica da lei seguem expostos à pesca predatória diária. Esta é a leitura honesta de quem opera essas águas há mais de trinta anos.

60 kg de polvo retirados num único dia da Ilha Escalvada por uma única embarcação de pesca. Observação direta da Atlantes durante operação regular de mergulho, 2025.

O mapa real da proteção em Guarapari.

✓ Sob proteção

Arquipélago das Três Ilhas

Único conjunto inserido em unidade de conservação estadual: APA Paulo César Vinha (antiga APA de Setiba). Pesca, coleta, acampamento e uso de fogo proibidos. Sinalização ambiental instalada pelo IEMA.

✗ Sem proteção formal contra pesca

Escalvada · Rasas · Bellucia · Victory 8B · Rebocador Oceano I

Os pontos mais visitados pelo turismo de mergulho de Guarapari não estão dentro de nenhuma UC marinha que proíba a pesca. Mesmo o Victory 8B, naufrágio afundado em 2003 pelo Estado com finalidade exclusiva de mergulho recreativo, opera sob risco diário de linha e anzol.

O que estamos vendo no mar.

1

Polvo retirado aos quilos

60 kg de polvo em um único dia na Escalvada. A população local está visivelmente reduzida. O polvo é predador médio: tartarugas, garoupas e raias dependem dessa peça na cadeia para se alimentar.

2

Anzol em mergulhador

Mergulhador atingido por anzol de pesca durante operação. Linhas e chumbadas caem sobre cabeços e mergulhadores em pontos visitados diariamente por embarcações de pesca recreativa e profissional.

3

Victory 8B inseguro

Já houve dias em que não foi possível atracar a embarcação sobre o naufrágio do Victory por conta de barcos de pesca operando exatamente sobre o casco. O ponto foi afundado em 2003 para mergulho, não para pesca.

Lista Federal · Maio de 2026

O peroá entrou na lista de espécies ameaçadas. E sumiu do prato capixaba.

Tradicional na culinária do Espírito Santo e historicamente abundante na costa do estado, o peroá (Balistes capriscus) passou a integrar oficialmente a lista nacional de espécies ameaçadas em 7 de maio de 2026. As regras instituídas são paliativas: tamanho mínimo de captura fixado em 20 cm e plano de recuperação previsto até outubro de 2026. Não houve proibição de pesca.

O caso do peroá não é exceção. Garoupa, badejo e cirioba figuram entre as espécies em maior risco no litoral capixaba, segundo levantamentos científicos da UFES. Em paralelo, o PELD-HCES documentou perda de cerca de 40% da extensão de espécies recifais entre 2018 e 2020, associada à elevação de 1 °C na temperatura do mar. Sobre uma biodiversidade já pressionada pelo aquecimento, a sobrepesca atua como segundo golpe.

A proteção dessas áreas é muito importante, principalmente por meio de unidades de conservação onde a pesca é proibida. Elas funcionam como áreas de produção que recuperam as populações.

Ciro Vilar · pesquisador da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) · em entrevista à Tribuna Online, 2025.

O modelo que dá certo no Brasil e no mundo.

+36%

Mais espécies em Abrolhos

Áreas de pesca proibida no Parque Nacional Marinho de Abrolhos têm 36% mais espécies de peixes grandes que áreas adjacentes. A biomassa é 35% maior. O número de tubarões dobra.

0

Pesca em Fernando de Noronha

O Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha proíbe integralmente a pesca em sua zona de proteção. O resultado é o turismo de mergulho que sustenta a economia local há décadas.

30%

Estoques pesqueiros sobrepescados

O IBAMA estima que cerca de 30% dos estoques pesqueiros brasileiros estão sobrepescados. A pesca ilegal, predatória e não declarada representa até 30% da pesca total do país.

O que precisa acontecer em Guarapari.

Esta proposta já foi apresentada à Prefeitura Municipal, à Câmara de Vereadores e às secretarias estaduais de pesca e meio ambiente. Até hoje nenhuma medida estrutural foi tomada.

  1. Criação de uma APA marinha permanente cobrindo Ilha Escalvada, Ilhas Rasas, Naufrágio Bellucia, Victory 8B e Rebocador Oceano I.
  2. Pesca proibida num raio mínimo de 200 metros das ilhas e dos naufrágios em operação turística regular.
  3. Reconhecimento formal dos naufrágios como recifes artificiais turísticos, não estruturas pesqueiras. O Victory 8B foi afundado em 2003 com finalidade declarada de mergulho.
  4. Fiscalização integrada entre Capitania dos Portos, IEMA, polícia ambiental e Secretaria Municipal de Pesca e Aquicultura.
  5. Monitoramento contínuo com base nos dados do Projeto Peixes pro Amanhã (UFES/IEMA/FAPES) e do PELD-HCES.

Até quando manteremos a Capital Nacional da Biodiversidade Marinha sob pesca predatória diária?

Pronto para conhecer a Capital Nacional da Biodiversidade Marinha por dentro?

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